A capa da edição de maio da revista
Time provocou
polêmica após estampar uma criança de três anos com a boca no seio de
uma mulher, ao lado da chamada "Are you mom enough?" (algo como uma
provocação:
você é mãe o suficiente?). A foto ilustra uma matéria
sobre amamentação após a idade adequada que, de acordo com o
ginecologista e obstetra, diretor do Centro de Fertilidade da Rede Dor,
José Bento, é de dois anos de vida.

A publicação incitou
comentários espantados nas redes sociais, como o de Lisa Hanson, no
Facebook: "O que é isso? Olhe para ele, não tem três anos de idade! Algo
está errado aí. Eu amamentei meus filhos, mas somente enquanto eles
eram bebês", postou. "Amamentação após um ano e meio, acho perturbador",
comentou Heather Mike Strickland no mesmo site de relacionamentos.
Annette
McLane publicou na página da revista nas redes sociais que é a favor do
aleitamento materno, mas criticou o fato de o menino da foto não ser
mais uma criança. Apesar de a capa da
Time despertar críticas, de
acordo com o presidente do departamento científico de aleitamento
materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciano Borges, não existe
uma idade certa para a interrupção da amamentação.
"Isso é uma
questão cultural. Existem pesquisas querendo comparar a amamentação dos
humanos com a dos mamíferos. Desta forma, existe uma tendências para
amamentar até quando a criança tiver entre quatro e sete anos. Se for
jogar a idade dos mamíferos teria que amamentar por um tempo
prolongado", comentou.
Porém a realidade é outra: "gostaríamos
que as mulheres amamentassem as crianças até os dois anos de idade, pelo
menos. Mas só 10% das nossas crianças chegam aos seis meses mamando só
no peito", acrescentou ele.
Segundo José Bento, existem trabalhos
que contraindicam a amamentação da criança mais velha por conta de danos
psicológicos. "A imagem choca pois tem uma conotação não nutritiva,
parece mais uma conotação sexual", disse ele. O obstetra explicou que
além de ser um órgão de alimentação, a mama também é ligada ao sexo.
"Você não vê mais a imagem de uma criança precisando de alimento",
completou.
Segundo José Bento, casos assim são pouco frequentes e
mais comuns na faixa socioeconômica menos favorecida. Ele acrescentou
ainda que depois de determinada idade, passados os dois anos, não
existem provas de que o leite materno tenha benefícios nutricionais para
a criança, tanto quando nos dois primeiros anos de vida.